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  • Os Yanomami

    Os Yanomami (ianomâmis ou yanõmami) são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados da América do Sul. Formam uma sociedade de caçadores-agricultores, vivendo nas florestas e montanhas do norte do Brasil e sul da Venezuela, ao longo de um território de 192 mil km². Hoje a população total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, é estimada em cerca de 38.000 indígenas.

    De acordo com dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (2019), a Terra Indígena Yanomami cobre por volta de 96 mil km² de floresta tropical, reconhecida por sua alta relevância em termos de proteção da biodiversidade amazônica. No território do Brasil, a população contabiliza mais de 26 mil indígenas divididos em 228 comunidades ao longo da Serra Parima, divisor de águas entre o alto Orinoco e os afluentes da margem direita do Rio Branco.

    Para os Yanomami, a terra-floresta (chamada de “urihi”) não é considerada apenas como um espaço de moradia ou de fonte de recursos para subsistência, mas sim de uma entidade viva, inserida numa complexa dinâmica cosmológica de intercâmbios entre humanos e não-humanos.

    Os primeiros contatos dos Yanomami com os “napëpë” (‘estrangeiros’, ‘inimigos’) datam de 1910 através de encontros diretos com representantes da fronteira extrativista local (balateiros, piaçabeiros e caçadores), soldados da Comissão de Limites, funcionários do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e viajantes estrangeiros. Mais tarde, entre os anos de 1940 e 1960, com a abertura de postos do SPI e das várias missões católicas e evangélicas na região, os Yanomami se depararam com os primeiros pontos de contato permanente no seu território.

    A partir de 1970, se intensificaram as invasões, construções de estradas, projetos de colonização, fazendas, serrarias, canteiros de obras e a chegada de garimpeiros, que começaram a submeter os Yanomami a formas de contato massivas com a fronteira econômica regional em expansão.

    A implantação do “Plano de Integração Nacional”, lançado pelos governos militares nos anos 70, marcou a abertura de um trecho da estrada Perimetral Norte, de programas de colonização pública e a descoberta de importantes jazidas minerais na região, responsáveis por invadirem o sudeste das terras Yanomami e trazerem consigo um choque epidemiológico de grande magnitude, causando altas perdas demográficas, degradação sanitária generalizada e graves fenômenos de desestruturação social.

    Apesar da corrida do ouro ter desacelerado bastante nos últimos 30 anos, até hoje núcleos de garimpagem continuam funcionando nas redondezas e seguem espalhando violência e graves problemas sanitários e sociais na região, constantemente assediadas pelo desmatamento e, mais recentemente, pela pandemia da Covid-19.

    Além de terem sido abandonados à própria sorte pelo Governo Federal na luta contra os invasores de seus territórios, os povos indígenas yanomami sofreram o descaso com a falta de assistência adequada durante a pandemia do Sars-Cov-2. O garimpo também não deu trégua e avançou em 30% suas invasões no território, desmatando 500 hectares entre janeiro e dezembro de 2020.